A INOVAÇÃO DE CORTAR ÁRVORES NAS AVENIDAS E IGNORAR PONTES E ESTRADAS EM RUÍNAS NA ÁREA RURAL
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Mais uma vez, a administração municipal reinicia o corte entre o pouco que ainda resta de árvores que resistem na cidade. E, como de costume, surgem as mesmas justificativas técnicas, os laudos cuidadosamente citados, os argumentos prontos para sustentar o inevitável. Tudo, claro, dentro da legalidade, como deve ser.
O curioso — para não dizer irônico — é que, desta vez, parece que os tais laudos descobriram algo verdadeiramente extraordinário: depois de adultas, as árvores passaram a ter porte inadequado para permanecer nas avenidas. Que descoberta fantástica! Durante mais de cinquenta anos ninguém havia percebido tal fenômeno. Foram plantadas, cresceram, deram sombra, abrigaram pássaros, embelezaram a cidade — mas só agora, em pleno avanço da tecnologia e da inteligência artificial, veio à tona essa revelação quase científica.
Quando foram plantadas, será que a administração da época desconhecia o crescimento natural de uma árvore? Ou será que, naquela época, havia planejamento urbano, compromisso ambiental e respeito pelo paisagismo? Fica a pergunta.
Mas os tempos mudaram. Evoluímos. Descobriu-se que o progresso exige motosserras mais rápidas e decisões mais céleres. Assim, em nome do desenvolvimento, do trabalho e da modernidade, cortemos logo o que resta. Afinal, trata-se de inovação administrativa. Uma inovação que talvez impressione os mais desatentos — mas dificilmente convence até mesmo uma criança.
E como não poderia faltar, surge a promessa: as árvores serão substituídas gradativamente por um “planejamento inovador”, sempre anunciado, sempre divulgado, sempre a caminho… mas curiosamente nunca concluído. Um planejamento permanente no discurso e ausente na prática. As justificativas se repetem ano após ano; o resultado, no entanto, é sempre o mesmo: menos sombra, menos verde, menos vida.
Enquanto isso, pontes em ruínas continuam oferecendo riscos reais a estudantes e à população que por elas transita diariamente. Estruturas deterioradas, visivelmente comprometidas, parecem não merecer laudos urgentes nem relatórios alarmantes. Não há pressa, não há cortes, não há substituições imediatas. Curioso como a urgência é seletiva.
Cortam-se árvores das avenidas sob o argumento da segurança e do planejamento futuro. Mas as pontes ameaçadas pelo tempo permanecem esquecidas, aguardando talvez que algum laudo inovador descubra o óbvio.
Se a inovação administrativa consiste em repetir velhas justificativas enquanto problemas estruturais continuam ignorados, então estamos, de fato, diante de algo admirável — ao menos no campo da retórica.
A cidade, porém, precisa mais do que discursos técnicos e promessas graduais. Precisa de coerência. Precisa de prioridades bem definidas. Precisa de planejamento que se concretize, não apenas que se anuncie.
Porque progresso de verdade não se mede pela quantidade de árvores cortadas, mas pela capacidade de preservar o que dá vida à cidade — e reconstruir o que oferece risco à população.
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